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Set
Terminal da Acer baseado no Aliyun cancelado por pressão da Google
por BdB Acer , Alibaba , Aliyun OS , Google , Android , Amazon
Como se não bastassem as várias frentes em que o Android se encontra sob pressão – guerra de patentes com a Apple, acordos de licenciamento forçados com a Microsoft, etc – a Google voltou a abrir a ‘velha ferida’ do (not so) open-source.
Apesar de ser um projecto open source, o Android continua a ser comandado e orientado pela Google que dispõe de um conjunto de trunfos que lhe permite manter o controlo total sobre a plataforma móvel.

O modelo de ‘governação’ fechado (pouco próprio de projectos open-source) e a dificuldade de integrar tecnologia desenvolvida fora dos laboratórios da Google são apenas dois dos aspectos onde o conceito de plataforma aberta caiu pela sua base.
Depois de ter impedido o lançamento de terminais Android equipados com a tecnologia de geolocalização desenvolvida pela Skyhook (que é concorrente da da própria google), a companhia norte-americana volta a pressionar um dos seus parceiros e evita o lançamento de um terminal baseado numa plataforma concorrente.

Quando o gigante chinês do comércio electrónico Alibaba desenhou a sua estratégia para o segmento móvel decidiu apostar numa plataforma própria que valorizasse os seus produtos e serviços em vez de optar pela via mais simples: o Android.
O Aliyun OS deveria permitir à companhia chinesa fazer crescer as suas vendas e posicionar-se como o maior vendedor online global superando a Amazon e o eBay.
Tal como a Amazon já demonstrou, um dispositivo devidamente integrado com os serviços e oferta de um grande nome do comércio electrónico é uma séria ameaça ao Android e aos planos da Google a médio prazo.

A apresentação do Acer CloudMobile A800 já estava agendada, já havia jornalistas a dirigirem-se para o local escolhido pelas duas companhias para darem a conhecer o primeiro terminal conjunto baseado no Aliyun OS quando tudo foi cancelado.
O nosso parceiro recebeu uma notificação da parte da Google avisando-a de que a colaboração existente para o desenvolvimento de terminais Android terminaria caso o lançamento do novo terminal fosse em frente. A autorização para usarem produtos Google nos seus terminais também seria revogada’ – anunciava um porta-voz da Alibaba.

Perante uma acusação tão grave, coube a Andy Rubin (o ‘pai’ do Android) esclarecer que a Google ‘está empenhada em defender activamente a coesão da plataforma Android e na manutenção de uma experiência consistente para consumidores, fabricantes e programadores. O surgimento de versões não compatíveis do Android enfraquece o próprio ecossistema. Todos os membros da Open Handset Alliance estão empenhados em volta de uma única plataforma Android e comprometeram-se a não lançar terminais baseados em derivações’.
A Google tem conseguido exercer o seu controlo sobre a plataforma através do licenciamento das suas aplicações e serviços – Google Play Store, Google Maps, GMail, etc – aos parceiros ‘bem comportados’, obrigando os ‘dissidentes’ a encontrar soluções alternativas. Foi o que fez a Amazon que criou a sua própria loja, a sua solução de mapas, de streaming e venda de música e vídeos, o que lhe a liberdade para moldar o Android às suas necessidades.
Mas a Acer não é uma Amazon e dificilmente conseguirá reunir as infra-estruturas necessárias para deixar de depender da Google. E isso tem um custo.

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